Valença
Erveira Mercado Municipal
“Se a maioria hoje em dia respeitasse o que os antigos falavam, muita coisa de ruim não estava acontecendo no mundo.”
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JOANA DARC:
O sonho do meu pai era que eu fosse médica. Mas eu falei que acabei virando médica das ervas. E tem gente assim que não acredita, mas é. Hoje, eu falo que de uns meses para cá, que eu comecei a tomar consciência da importância que é. Tem a parte da intuição, tem a parte genética que a gente herda mesmo dos nossos antepassados, os nossos ancestrais. E tem o gostar, o amor, a dedicação, o respeito. Que eu falo que tudo na vida a gente tem que ter amor e respeito, se não, não vai andar para frente. É, eu creio que o pai foi isso, essa parte de resgate, amor. E ele realmente, ele tinha um amor, um carinho muito grande, um respeito também. E ele tinha mania, que eu não sabia por que eu não cheguei a pegar essa parte de convivência com ele. Ele tinha uma mania de todos os fregueses que vinham aqui, ele receitava, escrevia e ensinava. Eu descobri isso, que eu faço isso. Através de uma freguesa que era dele, que me descobriu aqui. E ela não sabia que ele tinha falecido. Ela falou assim: “meu Deus, você é filha mesmo do seu João”. Então, creio eu que também ele tinha esse carinho, essa dedicação igual eu tenho. Essa preocupação de não fazer errado, para dar certo.
E hoje, eu creio muito que o meu pai, ele virou um intercessor por mim. Eu sinto até a presença dele, sabe? Eu sei que eu sinto falta dele. Então, eu sentir falta dele, eu sei que ele está presente aqui junto de mim. Hoje, eu voltando para a Igreja Católica, eu entendi que quando a gente, a gente não perde, né?! São pessoas que Deus pegou de volta para ele, é dele, nós somos dele. Então, ele é um intercessor por mim.
Voltei para a Igreja Católica e aí, eu custei, entrei em uma contradição. Porque entra. É uma outra cultura, é outra religião. É totalmente diferente. E aí, eu entrei nessa contradição, eu queria acabar com tudo. Eu não queria mais vender ervas. E aí, eu pedi muito a Deus orientação. O que é que eu faria? O que é que eu vou fazer? Me lembro um dia, que eu ajoelhei no santíssimo na Igreja da Aparecida e pedi ao Espírito Santo uma sabedoria. O que é que eu ia fazer? É o meu trabalho. Eu amo as plantas, amo as ervas. Foi o que eu me encontrei. Era para ter sido professora. Eu fiz magistério, não consegui exercer a função de professora. E eu conversando com Deus. E eu ouvi a voz do padre na sacristia, conversei com o padre. Aí, o padre Luís me orientou, me falou: “minha filha, as ervas é criação de Deus. Ele te quis ali, Ele te colocou ali como colocou seu pai”, porque ele conhecia muito meu pai. “Então é um dom de Deus para você. Aceita esse dom de Deus, e você aproveita essa chance, agradece a Ele. E, também, abençoa também as ervas, abençoa todos aqueles que vem também buscar as ervas. Porque é a cura, eles encontram a cura do corpo e da alma, através das ervas e Deus te colocou ali para isso. Não é à toa. Deus te escolheu. Tinha que ser você.” Aí, eu saí de lá mais leve, passei a olhar com outro olhar e é o que eu faço todo dia.
As pessoas que vem aqui são de outras religiões, eu indico. Trocas de ervas, cada local conhece por um nome. E eu não tenho nem um pouco vergonha de falar: olha, eu conheço dessa forma. Aqui nós conhecemos assim, você conhece… por causa da sua cultura, de outro lugar. É outra…. Igual, tem muita diferença entre o candomblé e a umbanda. A erva é muito diferente, até o uso. Tem ervas que na umbanda não usa, já no candomblé usa. Igual tem banhos que é só com casca, tem outras que é só com raízes. Tem ervas misturadas. Tem a as que eles falam erva quente, erva fria. E só quem gosta, quem foi criado, quem dá valor, dá continuidade, sabe aproveitar. Hoje, as pessoas acham mais fácil ir lá na farmácia e tomar um comprimido. E não tem a paciência de esperar a erva agir. E a erva age, ela cura, no processo dela. É lento, mas ela age e ela cura.
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