Movimento

Manoel João dos Santos

Morro da Vaca (Vassouras)
Liderança Caninha Verde

“Não me corte a cana verde, sem a cana estar madura por que a cana verde ela não dá rapadura”

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[00:00:13]

MANOEL JOÃO DOS SANTOS:  

Eu sou nascido e criado na roça. Desde a idade de dez anos que eu fui criado fora da minha mãe. Assim, na casa dos outros, trabalhando, né?! Naquele tempo era serviço pesado.
Aí, um dia eu estava em Ferreiros, eu morava lá. Aí chegou um dia de uma festa, chegou um caminhão cheio de gente, sabe? Lotado de gente. Aí, apeou, aquela turma apeou, aquela roda grande, dançando, sabe? Aí, eu falei: oh, mas, o que é aquilo? Caninha verde? Eu falei, é… Apearam lá, então, faziam aquela roda, aqueles pares, né? Tem até ali. Vocês já viram os bastões como toca? Vocês já viram? Não, né? Ah, já viram? Aí, vai rodando e dançando, né. Porque o instrumento da caninha verde ela é uma oito baixos, oito baixos se diz sanfona. É uma sanfoninha, um surdo e um pandeiro, são os instrumentos da cana verde. São três peças. Cada um cantando um verso, você canta um verso:

“Ô caninha verde que veio de Portugal. Ô, minha caninha verde que veio de Portugal. Conhecemos a cana verde no dia do carnaval. Não me corte a cana verde, sem a cana está madura. Porque a cana verde, ela não dá rapadura”. 

Aí, a turma batendo, cantando e rodando. Sabe? É muito bonito. Sabe? É calça branca, camisa verde e chapéu de palha, todo mundo, na roda. Aí, eu falei assim: vou montar, vou montar um bloco desse aí. E montei um bloco. Eu via os outros cantarem, né?! Aí, eu aprendi. Aí foi onde começou a história da caninha verde. Eu montei lá, depois eu vim para Vassouras com esse bloco. Mas todo mundo dançando, é muito bonito, sabe? Aí, a turma cantando, batendo e dançando, sabe? É muito bonito. Porque hoje, você vê, os jovens hoje, eles não têm aquela… como se diz? Aquela animação que a gente mais coisa tinha, não têm. Então, vai acabando tudo. 

Nós temos num grupo hoje, que a criançada vai crescendo. Então, a criançada vai saindo. Não querem mais se ajuntar com a gente. Então, nós temos um grupo hoje aí com umas vinte pessoas, vinte e cinco. Eu acho que a cidade, a cultura, é uma grande coisa. Mas nós não temos apoio. Então, se você não tem apoio, você não tem como crescer. Nós não temos… praticamente até onde treinar o grupo, nós não temos. Então a gente, praticamente vai a ponto de desanimar…  [00:03:19]